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 Irregularidades da Secretaria de Saúde são confirmadas com depoimento de Ex-secretária

Nas oitivas que ocorreram nesta segunda-feira, 02, a ex-secretária e o servidor Farmacêutico Renaut Tedesco foram ouvidos.

Na retomada das oitivas realizadas pela Comissão Parlamentar de Inquérito que investiga os medicamentos vencidos encontrados pelo time Cidadania na Central de Distribuição de medicamentos em abril deste ano, a ex-secretária de Saúde de Cuiabá Elizeth Araújo afirmou ser “impossível” que o prefeito de Cuiabá, Emanuel Pinheiro, não tivesse conhecimento das irregularidades apontadas pelos parlamentares durante a CPI. Ela comandou a Secretaria de Saúde entre janeiro de 2017 e março de 2018, sendo a primeira a assumir a pasta no primeiro ano de mandato de Emanuel.

“Hoje não acredito que o prefeito não sabia. Talvez ele ache que é perseguição, não sei exatamente o que ele pensa. Mas é impossível, depois de tudo isso, que ele não saiba o que esse grupo está fazendo. Um desmonte na Saúde, é muito triste. Eu acredito muito que o prefeito Emanuel queria resolver o problema. Ele tinha brilho nos olhos. Porque ele não conseguiu colocar em prática, eu não sei. Por que ele não conseguiu resistir às pressões contrárias a uma boa gestão da saúde pública, também não sei te dizer” afirmou Elizeth ao vereador T. Coronel Paccola sobre os diversos escândalos e em especial ao possível direcionamento de contrato no CDMIC.

Elizeth relembrou que, em 2017, quando ainda era gestora da Saúde, chegou a exonerar o então diretor-administrativo financeiro, Célio Rodrigues, atual Secretário de Saúde, por ele ter apresentado uma possível proposta de direcionamento de contrato. Segundo ela, havia uma desconfiança sobre a integridade dos processos de fornecimento de medicamentos. Ele chegou a propor a terceirização da logística de medicamento de Cuiabá naquele mesmo ano, mas ela não aceitou a proposta e arquivou. Célio foi nomeado como secretário de Saúde da Capital em junho deste ano. Na última sexta-feira (30), ele foi alvo da Operação Curare, que investigou os reiterados contratos emergenciais firmado entre a Prefeitura e um grupo de empresas, em desacordo com a Lei de Licitações. Ele foi afastado judicialmente do cargo.

Elizeth disse que durante algum tempo, acreditou que Emanuel não soubesse, mas que hoje acha difícil após a nomeação do então Secretário Célio. “Eu fiquei assustada. Mas como? Eu disse ao prefeito várias vezes, sobre os indícios de direcionamento, se eu tivesse provas, já estava na mão do MPF”, relata Elizeth.

Elizeth contou ainda que, assim que Célio entrou em contato com ela propondo a terceirização da logística de medicamentos, ela pediu ajuda a outras pessoas, que a aconselharam a não dar prosseguimento ao processo.

“Celio era diretor administrativo-financeiro, e me procurou dizendo que era urgente. Eu li, não gostei, mas eu não tinha conhecimento a fundo para dizer se estava certo ou não. Pedi ajuda e me disseram ‘Esse edital está direcionado, toma cuidado”, revelou.

Já o Farmacêutico Renaut Tedesco afirmou em depoimento que a contratação da empresa Norge Pharma não solucionou a falta organização da distribuição de medicamentos da Central.

CPI DOS MEDICAMENTOS

A CPI dos Medicamentos foi instaurada em 10 de maio deste ano a fim de apurar os remédios vencidos encontrados estocados no Centro de Distribuição de Insumos e Medicamentos (CDMIC) da capital.

A Comissão é composta pelos vereadores Lilo Pinheiro (PDT), que responde pela presidência da CPI; Marcus Brito Junior (PV), responsável pela relatoria; e T. Coronel Paccola (Cidadania), que figura como membro titular.

A Comissão, inclusive, já elaborou um parecer parcial para apresentar as instituições e colocá-las a par de toda a investigação. Além disso, a Politec está auxiliando no trabalho de perícia.

Até o momento, os membros da CPI já ouviram seis pessoas: o ex-secretário de Saúde, Luiz Antônio Possas de Carvalho; do coordenador de TI da SMS, Gilmar de Souza Cardoso; do ex-secretário de governo, Lincon Sardinha; do proprietário da Norge Pharma, Dirceu Luis Pedroso Junior; o secretário-adjunto de Gestão de Saúde, João Henrique Paiva; e ainda o ex-secretário-adjunto da Atenção Primária, Luis Gustavo Palma.

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