Paccola

Nova CPI na Câmara vai apurar organização criminosa na Saúde

O retorno dos trabalhos na Câmara de Cuiabá após o recesso parlamentar, no primeiro dia útil de fevereiro, deve ser marcado pelo início dos trabalhos de mais uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) contra irregularidades na Saúde na gestão do prefeito Emanuel Pinheiro (MDB).

Presidida pelo vereador Tenente-Coronel Marcos Paccola (Cidadania), a nova CPI deve apurar a existência de uma organização criminosa que desviou “vultuosos recursos” da Saúde da Capital.

A Comissão, que conta com dois vereadores da base – Marcrean Santos (PP), que será o relator, e Chico 2000 (PL) como membro –, será embasada nas diversas operações policiais que tiveram como alvo a Secretaria de Saúde de Cuiabá, como a Sangria, Overpriced, Curare, Colussão, Capistrum e Cupincha.

A CPI ainda tem como suplente a vereadora de oposição Michelly Alencar (DEM).

Ao propor a criação da CPI, Paccola defendeu que o problema de corrupção na Saúde de Cuiabá “parece ser sistêmico” e que investigações ao longo da CPI dos Medicamentos Vencidos, por exemplo, apontam a existência de servidores que estariam dando “suporte” para uma organização criminosa em atuação na Pasta.

A CPI da Saúde foi criada no final de novembro, mas deve efetivamente iniciar as apurações em fevereiro, com prazo de 120 dias para concluir os trabalhos. O período de apuração pode ser prorrogado.

Saúde na mira

Essa será a segunda comissão criada na Casa para apurar esquemas na Saúde. A primeira, dos Medicamentos, resultou no indiciamento do prefeito Emanuel Pinheiro, da primeira-dama Márcia Pinheiro, três empresas e de mais 40 pessoas.

Aberta em maio de 2020, logo após a descoberta de centenas de medicamentos vencidos no Centro de Distribuição da Prefeitura de Cuiabá, a CPI apontou que o dano aos cofres públicos chegou a R$ 26 milhões.

O montante refere-se aos medicamentos vencidos cujas notas fiscais não foram localizadas pela Prefeitura, ao volume de medicamentos que vieram a vencer após 16 de abril deste ano (data da fiscalização in loco que originou a CPI) e ainda ao montante de medicamentos vencidos e descartados antes da mencionada fiscalização.